O livro “Quando Nietzsche chorou” de Irvin D Yalom retrata o filósofo como um homem preocupado com as relações de poder.
Pelo que pude notar, segundo sua teoria, em todas as relações interpessoais ambas as partes lutam (ainda que inconscientemente) pelo poder, estabelece-se então a relação : “dominante x subordinado”.
Essa dominância nem sempre se dá pela agressividade das palavras ou atos, em alguns casos o artifício utilizado são os elogios e adulações.
Seja pela força ou delicadeza o principal objetivo nas relações humanas (não só humanas, claro) é subjugar o outro, estabelecer uma relação de poder.
Os cães, lobos, grandes felinos ou quaisquer outros animais que vivam em matilha buscam, instintivamente, a aplicação prática desse pensamento de Nietzsche.
Analisando bem, o homem enquanto espécie também o busca, seja através de seus governantes, ídolos ou mitos. A ordem social parece exigir a subordinação da massa frente aos poucos detentores do poder.
Sou forçado a acreditar que a teoria do filósofo alemão é verdadeira, somos sempre egoístas em nossas relações no sentido de que buscamos o bem próprio (como não poderia ser diferente) mesmo quando o negamos veementemente, talvez o nome disso seja "instinto de preservação da espécie".
Ao darmos esmola ou prestarmos qualquer tipo de auxílio estabelecemos uma relação de poder frente ao socorrido e nos motivamos pela esperança de que “Deus” veja aquilo e nos recompense pela boa ação.
Uma grande catástrofe natural assola um pais rico, logo algum produtor cinematográfico faz doações generosas àquela população, a grande empresa demite seu funcionário humorista por fazer piada com o ocorrido.
O que essas ações têm em comum é que por detrás desse despretensioso ato de generosidade está o fato de que os auxiliados assumem uma dívida para com seus ajudadores, qualquer crítica àquele produtor cinematográfico ou àquela empresa que demitiu seu funcionário será desestimulada por aquela nação, o ato de caridade, generosidade e desapego material conferiram poder aos que se dispuseram em ajudar, estabelecendo então a relação “dominante (auxiliador) x “dominado (auxiliado)”.
Quando socorremos alguém estamos buscando, na verdade, nosso próprio socorro.
Cuidamos de nossos semelhantes com total desapego, sem nos darmos conta de que, ao fazermos, conferimos poder a nós mesmos.
Cuidamos de nossos semelhantes com total desapego, sem nos darmos conta de que, ao fazermos, conferimos poder a nós mesmos.
Rodrigo Dias Figueira
17 de março de 2011.
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