Um tanto frustrado, às vezes saio ao quintal e olho o céu, as
estrelas, sinto-me então ainda mais insignificante que realmente sou. Entro pro
quarto, vou dormir, no dia seguinte acordo pela manhã, tomo meu banho, troco de
roupas e saio pra mais um dia, como se nada no mundo importasse. Fico o dia todo
sem ao menos meditar na grandeza de tudo que nos cerca, no mistério da vida, da
morte, sem me dar conta do impressionante fato de que a luz que clareia meu dia
vem de uma bola de fogo distante, que arde em chamas, vinte e quatro horas por
dia, sete dias por semana... Descanso a inquietação no seio acolhedor de minha
própria ignorância, fingindo não ser só um pouco de pó ambulante, um cisco na
imensidão do universo. E é isso talvez, possivelmente isso, que me livre do
tédio de não saber as respostas, pra tantas perguntas.